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Exercício físico compensa uma dieta desequilibrada?


Uma alimentação variada e saudável associada à prática de atividade física é a chave para viver mais e melhor. No entanto, há quem acredite que o exercício físico compensa uma dieta desequilibrada, nomeadamente no que diz respeito à perda de peso ou à prevenção de doenças. Mas terá esta ideia fundamento? Qual a importância da alimentação num estilo de vida saudável?


Lèlita Santos, Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Diretora do Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), esclarece todas as questões.

Uma alimentação desequilibrada pode ser compensada com a prática de exercício físico?


Segundo Lèlita Santos, para se ter saúde é necessário “ter hábitos de vida saudáveis” e isso implica uma associação “entre uma alimentação saudável, exercício físico adequado e um ambiente calmo e sem poluição”. Assim sendo, “apenas um destes meios isoladamente não cumpre esse objetivo”.


Além de estes eixos se complementarem, também se potenciam: “Está comprovado que uma alimentação saudável – como a alimentação mediterrânica – e o exercício físico regular melhora os processos metabólicos e previne as doenças crónicas”.


Para mais, estes hábitos de vida saudáveis “preservam as funções cognitivas” e proporcionam “a produção de hormonas e fatores anti-inflamatórios que condicionam o bem-estar geral”, acrescenta.

Quais as consequências de uma dieta pouco saudável?


Lèlita Santos explica que a alimentação saudável e equilibrada “fornece ao organismo os nutrientes e energia que este necessita” e “cumpre com o equilíbrio entre os diversos nutrientes, nomeadamente as vitaminas e os minerais”, anota.

Segundo a presidente da SPMI, uma boa alimentação “permite a preservação do equilíbrio metabólico e da microbiota intestinal, as defesas imunológicas e ajuda a prolongar a sobrevivência com qualidade de vida, atuando ao nível da preservação da função muscular e até cognitiva”.


Em contrapartida, uma dieta pouco saudável pode ter algumas consequências negativas na saúde. Por norma, uma “má alimentação” surge associada “a refeições sem horários certos e/ou muito abundantes, pobres em fibras, vegetais e fruta, alimentos ricos em gordura e alimentos pré-confecionados”, contextualiza.


Este tipo de hábitos alimentares, adianta Lèlita Santos, “proporciona a formação de placas de ateroma (aterosclerose) com consequente predisposição para doenças vasculares, como enfartes do miocárdio ou acidentes vasculares cerebrais e hipertensão arterial”.


Além disso, este tipo de dieta potencia “doenças metabólicas (como a diabetes e obesidade), doenças do fígado (com depósitos de gordura) e alguns tipos de cancro”.


Como resultado, promove-se “a redução da longevidade e um envelhecimento com mais doenças e mais dependência”, alerta a especialista.


E é possível emagrecer de forma saudável com uma alimentação desequilibrada? “Não diretamente”, salienta a médica. “O que leva à redução do peso, ou melhor, à redução da massa gorda corporal, é uma alimentação saudável que conduz ao equilíbrio nutricional e ao equilíbrio na composição corporal”, defende.

Qual a relevância da prática de exercício físico num estilo de vida saudável?


Na perspetiva da diretora do Serviço de Medicina Interna do CHUC, “a prática de atividade física regular e continuada deve estar incluída no estilo de vida saudável”.


Por um lado, “o exercício físico é muito importante e fulcral, porque ajuda no controlo do apetite por aumento da sensibilidade aos sinais de saciedade e no controlo consciente da alimentação”, refere.

Noutro plano, sustenta a especialista, “proporciona um balanço energético negativo, uma melhoria do metabolismo glucídico e redução da concentração de insulina em jejum com o seu maior aproveitamento muscular”.


A prática de exercício físico também é importante porque “permite a manutenção ou ganho de massa muscular e melhora a saúde mental”.


Além disso, completa, “reduz os fatores de risco para muitas doenças não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, síndrome metabólica, sarcopenia, osteoporose e depressão”.

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